Dinorá de Dalton Trevisan

Dinorá de Dalton Trevisan

 

Dinorá de Dalton Trevisan
Dinorá de Dalton Trevisan – Cartinha a um velho prosador
Extraído do livro “Dinorá, 1994”; o discurso critica os escritores de maneira geral. Escreve para alguém que talvez seja o leitor ou ele próprio.
Fala dos que escrevem bem porque pensam bem; os difere dos fingidores e admite os seus erros.
“Os bons sabem de seus muitos erros, os medíocres não sabem coisa alguma.” Os medíocres são criticados como falsos e as suas letras roubadas.
Fala da fama que todos querem e para isso são capazes de atrocidades. “Para ver o nome no jornal, você atropela uma doce velhinha e some com o picolé da criança.
Continua falando daqueles que tem facilidade para escrever, copiando os outros, enfatiza seus defeitos falando que é impossível imitar também o espírito. Provoca aqueles que invejam e criticam os escritores premiados com falácias e enganos. Chama-os de mentirosos e também de pobres de espírito. Durante todo o discurso o autor se dirige à segunda pessoa. É com você que ele fala diretamente.

Dinorá de Dalton Trevisan: assim termina a carta, atirando contra os medíocres, lamentando por Curitiba, praguejando contra os imortais da academia de letras e direcionando definitivamente a “você” o ensaio da carta.
“Uivai, pedalinhos do Passeio Público. Dane-se ó bestalhão pachola com o brilho da idiotia. Droga aos teus quarenta mil panacas imortais. Isto aqui a você e ao príncipe dos poetinhas pernetas, seja quem for.”

Dinorá de Dalton Trevisan – Receita de Curitibana
Do livro “Dinorá, 1994”; Receita de Curitibana é um texto poético que fala da beleza das mulheres de Curitiba.
Começa dizendo que beleza não é fundamental como dizem os poetas e que nenhuma mulher é foi ou será feia.
É um poema de exaltação à mulher de todas as formas, de todas as classes. Compara as mulheres a deusas e fala como elas despertam o amor. Há um destaque para os tipos de seios. Fala de todas as mulheres, das velhas, moças, mártires, pecadoras, santas etc “alta baixa gorda magra loira morena amá-las a todas é o que te seduz”.
Em todos os versos não existe pontuação e as frases não tem letras maiúsculas. Só existe a pausa de um verso para outro ou a que cada leitor fizer como melhor convier.

Dinorá de Dalton Trevisan: o poema acaba dando mais uma vez destaque para a mulher Curitibana que desperta paixões e que é bela.
Todo o texto é em tom de exaltação, é coeso e não tem em seu fim, um desfecho. Simplesmente acaba exaltando mais uma vez as qualidades de beleza e as suas propriedades.

“salve salve a eterna mulherinha
ó filha de Curitiba
morrendo de tanto beijo a cada hora na gritaria da paixão
gatinha crucificada nos cravos da luxúria
jardim de flores carnívoras
cada tipo um coração latindo de amor
nua e louca nos teus braços
me diga é feia essa mulher”
Dinorá de Dalton Trevisan – Quem tem medo de vampiro?
Conto extraído do livro “Dinorá, 1994”; narrado ironicamente pelo próprio protagonista. O narrador deflagra os defeitos do autor de seus próprios livros. Critica os personagens e como ele os nomeia. “… sempre o único João, a mesma bendita Maria.” Ainda fala de suas qualidades e frases de efeito. “… João: conhece que está morta (…) Maria: Você me paga bandido.”
Critica a mesmice do autor dizendo que não existe para o leitor nenhuma expectativa” Quem leu um conto já viu todos. Se leu o primeiro já pode antecipar o último.”
Critica o tema, a linguagem e o seu palavreado, a falta de uma gramática mais refinada. “Mais de oitenta palavras não tem seu pobre vocabulário.” Continua enumerando mais defeitos: “Presumindo de erótico, repete situações da mais grosseira pornografia.”
Diz que o escritor tem um talento inegável é o da autopromoção delirante, que é falso modesto dizendo que não quer seu retrato no jornal, mas o jornal sempre o publica.” nunca deu entrevista – e quantas já foram divulgadas, com fotos e tudo?”

Dinorá de Dalton Trevisan: acusa-o de mestre do plagiador descarado. Diz que imita o grafito do muro, a bula, o bilhete do suicida, o anúncio da sortista, a confissão do assassino e ainda lhe chama de espião sinistro. “… de ouvido na porta e olho na fechadura.”
Chamando-o de exibicionista, critica sua publicação e o culpa por tentar atingir os gloriosos artistas da cidade.
Por fim alertando o leitor que será usada sua confissão de bar no próximo conto o desafia: “Ó maldito galã de bigodinho e canino de ouro, por que não desafia os poderosos do dia: o banqueiro, o bispo, o senador, o general?”

Dinorá de Dalton Trevisan – Cartinha a um velho poeta.
Conto narrado em primeira pessoa, extraído do livro “Dinorá, 1994”; é o narrador contando sobre a mediocridade de Rilke, um escritor sem criatividade.
“Conhece a lição do Rilke, a vida inteira para escrever um só verso e, impávido, lança mais um livro.”

Descreve toda a superficialidade da vida de um escritor, um poeta que não tem a essência da criação artística, mas sabe se produzir como astro.
“O nome na boca da fama, festa de autógrafo, entrevista…”
Se esforça para gostar dele mas não consegue: “Em vão: nem um adjetivo bem achado, uma rima original, um só lampejo de ideia. (…) E me pergunto: não duvida do seu talento, você, gênio sublime ou asno pomposo?”
Compara Rilke a ele mesmo e se pergunta por que deve fazer todo esse julgamento. “Sou profeta raivoso de Curitiba?”
Durante o texto a narrativa dialoga interiormente. Fala consigo próprio através das perguntas que ele mesmo responde.
Por fim critica as paráfrases e plágios do dito poetinha; é irônico questionando sobre os sonhos e usa a metáfora final para rechaçar a ideia medíocre dos pobres versos de amor.

Dinorá de Dalton Trevisan – Lamentações da Rua Ubaldino.
Crônica escrita em versos, extraída do livro “Dinorá, 1994”; narra em terceira pessoa a estória da Rua Ubaldino, depois que a Igreja Central Irmãos Cenobitas se instalou no número 666.
Não é o movimento, a ideologia ou a caracterização social o enfoque da crônica. A crítica que o autor faz é pelo barulho que a igreja faz para a vizinhança.
Parodiando fragmentos e citações bíblicas, a crônica se desenrola num clima de inconformismo pela interferência maléfica da sonoridade do templo.

“No princípio era o silêncio na rua Ubaldino”. Em todos os versos há um tom de lamentação e crítica. “irmão cenobita ó irmão cenobita que torturas o sossego e flagelas os que te são vizinhos” “ai de ti irmão ai de ti cenobita”
Algumas vezes pragueja contra os religiosos e contra a igreja.
“bandinha maldita nunca mais nasça ruído de ti
lançada no fogo eterno com gritos e ranger de dentes”
“sobre teus moucos pastores caia o sangue do sossego profano”
“O Senhor dos Exércitos enviará maldição aos predadores do sossego”
No final, na mais famosa citação que o texto usa como paródia a crônica termina com uma lamentação e o desejo que se faça a “Justiça do Senhor” contra aquela igreja.
“ mais fácil passar um camelo pelo fundo dum a agulha
do que entrar um guitarrista no reino de Deus “
“ah! espada do Senhor até quando descansarás na tua bainha?”

 

Dinorá de Dalton Trevisan

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