Enquanto a língua falada é
espontânea e natural,
a língua escrita precisa seguir algumas regras. Embora sejam
expressões de um mesmo idioma, cada uma tem a sua especificidade. A língua
falada é a mais natural, aprendemos a falar imitando o que ouvimos. A língua
escrita, por seu lado, só é aprendida depois que dominamos a língua falada. E
ela não é uma simples transcrição do que falamos; está mais subordinada às
normas gramaticais. Portanto requer mais atenção e conhecimento de quem fala.
Além disso, a língua escrita é um registro, permanece ao longo do tempo, não
tem o caráter efêmero da língua falada.
1. Diferenças
existentes entre a língua falada e a escrita
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Língua
Falada:
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Palavra sonora;
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Requer a presença dos interlocutores;
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Ganha em vivacidade;
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É espontânea
e imediata;
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Uso de palavras-curinga, de frases feitas;
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É
repetitiva e redundante;
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O contexto extralingüístico
é importante;
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A expressividade permite
prescindir de certas regras;
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A informação é permeada
de subjetividade e influenciada pela presença do
interlocutor.
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Recursos: signos acústicos
e extralingüísticos, gestos, entorno físico e psíquico
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Língua Escrita:
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Palavra gráfica
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É mais
objetiva.
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É possível esquecer o interlocutor
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É
mais sintética.
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A redundância é um recurso estilístico
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Comunicação
unilateral.
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Ganha em permanência
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Mais correção na elaboração
das frases.
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Evita a improvisação
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Pobreza de
recursos não-lingüísticos; uso de letras, sinais de
pontuação
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É mais
precisa e elaborada.
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Ausência de cacoetes lingüísticos
e vulgarismos
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O contexto extralingüístico
tem menos influência
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2. Registros da língua falada
Há pelo menos dois níveis de língua falada: a culta ou
padrão e a coloquial ou popular. A linguagem coloquial também aparece nas gírias,
na linguagem familiar, na linguagem vulgar e nos regionalismos e dialetos.
Essas variações são explicadas por vários fatores:
Diversidade de situações em que se
encontra o falante: uma solenidade ou uma festa entre amigos.
Grau de instrução do falante e também
do ouvinte.
Grupo a que pertence o falante. Este é um
fator determinante na formação da gíria.
Localização geográfica: há muitas
diferenças entre o falar de um nordestino e o de um gaúcho, por
exemplo. Essas diferenças constituem os regionalismos e os dialetos.
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Atenção: o dialeto é a variedade regional de
uma língua. Quando as diferenças regionais não são suficientes para
constituir um dialeto, utiliza-se os termos regionalismos ou falares para designá-las.
E as
pichações têm características da linguagem falada.
3. A língua falada como recurso literário
A transcrição da língua falada é um recurso cada vez mais explorado pela literatura graças à vivacidade que confere ao
texto.
Observe, no trecho seguinte, algumas das características da língua falada,
tais como o uso de gírias e de expressões populares e regionais; incorreções
gramaticais (erros na conjugação verbal e colocação de pronomes) e repetições:
Exemplo:
"– Menino, eu
nada disto sei dizer. A outro eu não falava, mas a ti eu digo. Eu não
sei que gosto tem esse bicho de mulher. Eu vi Aparício se pegando nas
danças, andar por aí atrás das outras, contar histórias de namoro. E
eu nada. Pensei que fosse doença, e quem sabe não é? Cantador assim
como eu, Bentinho, é mesmo que novilho capado. Tenho desgosto. A voz de
Domício era de quem falava para se confessar:
– Desgosto eu tenho, pra que negar?... "
(Pedra Bonita, de José
Lins do Rego)
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4. Registros da língua escrita
Além dos dois grandes níveis – língua culta e língua
coloquial –, os registros escritos são tão distintos quanto as necessidades
humanas de comunicação. Destacam-se, entre outros, os registros jornalísticos,
jurídicos, científicos, literários e epistolares.