Modelo de redação 01

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Redação
Escrever… escrever… escrever…

Modelo de redação 01 – Redação Nota 10

MODELO DE REDAÇÃO
Veja o seguinte tema: “A nova ordem mundial enfraqueceu ou não o poder político?”. Uma “dissertação-modelo” foi por nós elaborada com o propósito de demonstrar uma das múltiplas formas possíveis de abordagem do tema em questão e para exemplificar um modo pelo qual um eventual vestibulando pudesse abordar o tema.

Atenção: o texto que se segue, em hipótese alguma, é uma forma única de se escrever sobre o assunto; ele é simplesmente um modelo, uma sugestão.

TÍTULO : OS NOVOS DONOS DO PODER
Ao longo dos Tempos Modernos, período compreendido entre os séculos XVI e início do XIX, o poder do Estado sobre a nação era exclusivo e incontestável. As estruturas econômicas, sociais e culturais ainda não tinham transcendido*  as fronteiras dos estados nacionais. Desconhecia-se qualquer organização supranacional, com exceção da Igreja Católica, que afrontasse o poder do Rei, então absolutamente soberano sobre as atividades e comportamentos de seus súditos. O poder político e jurídico do Estado tinha condições de impor regras e determinações a empresas, instituições da sociedade civil e também aos cidadãos. Desobedecer a vontade do “Príncipe*” significava prisão, represálias e, muitas vezes, até a eliminação física pelo emprego da pena capital. Na época, portanto, era absolutamente válida a conhecida frase de Luís XVI, o “Estado sou eu”.

Com o desenvolvimento do capitalismo, ampliando, em escala mundial, o comércio e as aplicações financeiras, o estado nacional se depara com um novo cenário: sua política econômica, suas decisões jurídicas e institucionais devem, a partir daí, levar em consideração os interesses e projetos de outras nações. Na fase mercantilista, a filosofia econômica das nações absolutistas, os governos impunham barreiras protecionistas para evitar a entrada de artigos estrangeiros em seu território. A crescente mundialização da economia, já evidente no século XIX, impedia restrições alfandegárias, pois o país que evitasse comprar gêneros importados, também não venderia os seus para os mercados externos. Começava imperar uma lógica econômica supranacional que sobrepujava* a vontade dos poderes políticos nacionais. Agora, empresários e investidores, se prejudicados pelo “Príncipe”, operariam em terras estrangeiras, solapando*  a economia e as finanças de seu próprio país. Nascia uma “nova pátria”, não mais a definida por um solo, por uma origem étnica ou por hábitos culturais comuns, mas a “a pátria do lucro”. Para o homem contemporâneo, o “lar nacional” não mais seria determinado por laços afetivos – patriotismo e nacionalismo – , mas, isto sim, pelo lugar que permitisse o crescimento econômico e a ascensão social. O Rei tornou-se cauteloso: perseguir o capital implicava perdê-lo.

Também a proliferação de idéias e estados liberal-democráticos, criou um fenômeno até então inédito: a “opinião pública”. Os cidadãos e segmentos sociais, agora menos tutelados*  pelo Estado, passaram a exigir seus direitos e a limitar a prepotência*  do Poder. Os governos, agora, só podiam agir dentro das normas instituídas pelo Direito. O Soberano já não mais podia ser Déspota*.

Nos anos recentes, a globalização financeira, econômica e a difusão de hábitos culturais em escala planetária restringiram ainda mais a ação dos estados nacionais. Hoje, já se fala de uma sociedade civil* internacional. Antes, crimes e outras atitudes ilícitas levadas a efeito pelos governantes eram desconhecidos pelos povos; hoje, as redes internacionais de comunicação informam todos os cidadãos sobre as ações dos poderosos. A condenação moral tornou-se mundial, inibindo os mandatários*  políticos. A produção é global, escapando progressivamente ao controle do Estado; a circulação de bens é planetária, dificultando decisões estatais que prejudiquem o livre comércio; a cada dia se formam organizações não-governamentais que atuam em escala mundial. Esboça-se*, até mesmo, um Direito Penal internacional, visando punir crimes contra a humanidade. Não, definitivamente não, se pode dizer “aqui mando eu”. O Estado, sem dúvida, ainda é um aparelho de mando*, mando este, contudo, compartilhado com outros “donos do poder”.

GLOSSÁRIO:
*TRANSCENDER: ultrapassar, superar, ir para um nível superior;
*PRÍNCIPE: a partir da obra de Nicolau Maquiavel, cientista político do séc. XVI,”Príncipe” significa governante;
*SOBREPUJAR: superar;
*SOLAPAR: minar, sabotar;
*TUTELAR: controlar;
*PREPOTÊNCIA: autoritarismo;
*DÉSPOTA: tirano;
*SOCIEDADE CIVIL: toda comunidade está divida em sociedade política, o plano das instituições do Estado, e sociedade civil, as organizações que representam e agrupam os cidadãos desligados do poder público. A polícia, por exemplo, é uma entidade da sociedade política; um sindicato representa uma sociedade civil;
*MANDATÁRIOS: governantes;
*ESBOÇAR: rascunho, planejamento inicial;
*APARELHO DE MANDO: a estrutura do poder estatal, ministérios, secretarias, legislativos, forças armadas, polícia, etc.

 

Veja Modelo de Redação 02 e Modelo de Redação 03

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