Os diferentes níveis de
leitura
Para que isso
aconteça, é necessário que haja maturidade para a compreensão do
material lido, senão tudo cairá no esquecimento ou ficará armazenado
em nossa memória sem uso, até que tenhamos condições cognitivas para
utilizar.
De uma forma geral, passamos por diferentes níveis ou etapas até
termos condições de aproveitar totalmente o assunto lido. Essas etapas
ou níveis são cumulativas e vão sendo adquiridas pela vida, estando
presente em praticamente toda a nossa leitura.
O PRIMEIRO NÍVEL
é elementar e diz respeito ao período de alfabetização. Ler é uma
capacidade cerebral muito sofisticada e requer experiência: não basta
apenas conhecermos os códigos, a gramática, a semântica – é
preciso que tenhamos um bom domínio da língua.
O SEGUNDO NÍVEL é a pré-leitura ou leitura inspecional. Tem
duas funções específicas: primeiro, prevenir para que a leitura
posterior não nos surpreenda e, sendo, para que tenhamos chance de
escolher qual material leremos, efetivamente. Trata-se, na verdade, de
nossa primeira impressão sobre o livro. É a leitura que comumente
desenvolvemos “nas livrarias” .
Nela, por meio do salteio de partes, respondem basicamente às seguintes
perguntas:
Por que ler este livro?
Será uma leitura útil?
Dentro de que contexto ele
poderá se enquadrar?
Essas perguntas devem ser
revistas durante as etapas que se seguem, procurando usar de
imparcialidade quanto ao ponto de vista do autor, e o assunto, evitando
preconceitos.
Se você se propuser a ler um
livro sem interesse, com olhar crítico, rejeitando-o antes de conhecê-lo,
provavelmente o aproveitamento será muito baixo.
LER
É
armazenar informações;
desenvolver;
ampliar horizontes;
compreender o mundo;
comunicar-se melhor;
escrever melhor;
relacionar-se melhor com o outro.
Pré-leitura
Nome do livro
Autor
Dados bibliográficos
Prefácio e índice
Prólogo e introdução
Os passos da pré-leitura
O primeiro passo é memorizar
o nome do autor e a edição do livro, fazer um folheio sistemático:
ler o prefácio e o índice (ou sumário), analisar um pouco da história
que deu origem ao livro, ver o número da edição e o ano de publicação.
Se falarmos em ler um Machado de Assis, um Júlio Verne, um Jorge Amado,
já estaremos sabendo muito sobre o livro, não é? É muito importante
verificar estes dados para enquadrarmos o livro na cronologia dos fatos
e na atualidade das informações que ele contém. Verifique
detalhes que possam contribuir para a coleta do maior número de informações
possível. Tudo isso vai ser útil quando formos arquivar os dados lidos
no nosso arquivo mental!
A propósito, você sabe o que
seja um prólogo, um prefácio e uma introdução? Muita gente pensa que
os três são a mesma coisa, mas não:
PRÓLOGO: é um comentário
feito pelo autor a respeito do tema e de sua experiência pessoal.
PREFÁCIO: é escrito por
terceiros ou pelo próprio autor, referindo-se ao tema abordado no livro
e muitas vezes também tecendo comentários sobre o autor.
INTRODUÇÃO: escrita também
pelo autor, referindo-se ao livro e não ao tema.
O segundo passo é fazer uma
leitura superficial. Pode-se, nesse caso, aplicar as técnicas da
leitura dinâmica.
O TERCEIRO NÍVEL é
conhecido como analítico. Depois de vasculharmos bem o livro na
pré-leitura, analisamos o livro. Para isso, é imprescindível que
saibamos em qual gênero o livro se enquadra: trata-se de um romance, um
tratado, um livro de pesquisa e, neste caso, existe apenas teoria ou
são inseridas práticas e exemplos. No caso de ser um livro teórico,
que requeira memorização, procure criar imagens mentais sobre o
assunto, ou seja, VEJA, realmente, o que está lendo, dando vida e muita
criatividade ao assunto. Note bem: a leitura efetiva vai acontecer
nesta fase, e a primeira coisa a fazer é ser capaz de resumir o assunto
do livro em duas frases. Já temos algum conteúdo para isso, pois o
encadeamento das idéias já é de nosso conhecimento. Procure, agora,
ler bem o livro, do início ao fim. Esta é a leitura efetiva, aproveite
bem este momento!
Fique atento!
Aproveite todas as informações que a pré-leitura ofereceu.
Não pare a leitura para buscar significados de palavras em dicionários
ou sublinhar textos – isto será feito em outro momento!
O QUARTO NÍVEL
de leitura é o denominado de controle. Trata-se de uma leitura com a
qual vamos efetivamente acabar com qualquer dúvida que ainda persista.
Normalmente, os termos desconhecidos de um texto são explicitados
neste próprio texto, à medida que vamos adiantando a leitura. Um
mecanismo psicológico fará com que fiquemos com aquela dúvida
incomodando-nos até que tenhamos a resposta. Caso não haja
explicação no texto, será na etapa do controle que lançaremos mão
do dicionário.
Veja bem: a esta altura já conhecemos bem o livro e o ato de
interromper a leitura não vai fragmentar a compreensão do assunto como
um todo. Será, também, nessa etapa que sublinharemos os tópicos
importantes, se necessário.
Para ressaltar trechos importantes opte por um sinal discreto próximo a
eles, visando principalmente a marcar o local do texto em que se
encontra, obrigando-o a fixar a cronologia e a seqüência deste fato
importante, situando-o no livro.
Aproveite bem esta etapa de leitura!
Para auxiliar no estudo, é interessante que, ao final da leitura de
cada capítulo, você faça um breve resumo com suas próprias palavras
de tudo o que foi lido.
Um QUINTO NÍVEL
pode ser opcional: a etapa da repetição aplicada. Quando lemos,
assimilamos o conteúdo do texto, mas aprendizagem efetiva vai requerer
que tenhamos prática, ou seja, que tenhamos experiência do que foi
lido na vida. Você só pode compreender conceitos que tenha visto em
seu cotidiano. Nada como unir a teoria à prática. Na leitura, quando
não passamos pela etapa da repetição aplicada, ficamos muitas vezes
sujeitos àqueles brancos quando queremos evocar o assunto. Para
evitar isso, faça resumos! Observe agora os trechos sublinhados do
livro e os resumos de cada capítulo, trace um diagrama sobre o livro,
esforce-se para traduzi-lo com suas próprias palavras. Procure associar
o assunto lido com alguma experiência já vivida ou tente
exemplificá-lo com algo concreto, como se fosse um professor e o
estivesse ensinando para uma turma de alunos interessados. É importante
lembrar que esquecemos mais nas próximas 8 horas do que nos 30 dias
posteriores. Isto quer dizer que devemos fazer pausas durante a leitura
e ao retornarmos ao livro, consultamos os resumos. Não pense que é um
exercício monótono! Nós somos capazes de realizar diariamente
exercícios físicos com o propósito de melhorar a aparência e a
saúde. Pois bem, embora não tenhamos condições de ver com o que se
apresenta nossa mente, somos capazes de senti-la quando melhoramos
nossas aptidões como o raciocínio, a prontidão de informações e,
obviamente, nossos conhecimentos intelectuais. Vale a pena se esforçar
no início e criar um método de leitura eficiente e rápido.