Coloca em evidência
a disputa acirrada que se trava entre as escolas de ensino
superior por novos alunos. De olho no crescimento da demanda -
conseqüência da universalização do ensino Fundamental e Médio
em todo o país - e também da falta de investimento do Governo
federal nas universidades públicas, os empresários não
perderam tempo. Nos últimos cinco anos não só se instalaram
em Belo Horizonte e no interior de Minas, como expandiram suas
unidades. E para consolidar seus investimentos não medem gastos
com a publicidade oferecendo ensino de qualidade em sintonia com
o mercado de trabalho. De acordo com o Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o número de escolas
particulares de terceiro grau saltou de 103 para 118 no Estado.
A oferta de cursos passou de 595 para 974, fazendo com que o número
de vagas na rede privada subisse de 52.031 para 87.404.
“Essa expansão vem ocorrendo em todo o país. E aqui, onde a
rede particular já era bem expressiva, os investimentos foram
pesados", constata o pedagogo Antônio Carlos Gomes da
Costa, consultor da Unicef e da Organização Internacional do
Trabalho (OIT). Esse crescimento, no entanto, alerta o
especialista, nem sempre vem sendo acompanhado de qualidade.
“Um paradoxo lamentável, principalmente se a gente levar em
conta que são as pessoas das camadas mais pobres, que não
conseguem ingressar nas escolas públicas, que mais lançam mão
dessa alternativa na expectativa de melhorar de vida",
pondera Antônio Costa. “A educação não pode ser regulada
pelas leis de mercado", completa o educador. A implantação
de escolas em pólos estratégicos e a oferta de cursos,
entretanto, vem se orientando pelas tendências de mercado.
Administração de Empresas, com 64 cursos e 80 habilitações,
lidera o ranking de ofertas no mercado, seguido do curso de
Direito, com 38 opções, Computação, com 30 cursos e
Fisioterapia, ministrado em 19 instituições. Em busca de
diferenciação, que deixe as salas de aulas cheias, as instituições
prometem atendimento individualizado, laboratórios de ponta e
mensalidades acessíveis.
Por maior que seja a vontade de conquistar um canudo, antes de
se matricular em uma instituição, sem tradição no mercado, o
calouro deve procurar informações junto aos futuros colegas, e
também pode verificar junto ao MEC se o curso está
credenciado. “O ensino não pode ser encarado como uma
mercadoria. A transmissão de conhecimentos e a formação do
profissional é bem mais ampla. Infelizmente a Lei de Diretrizes
e Bases deu brechas para a isso", observa a professora
Cristina Agostini, pró-reitora de graduação da Universidade
Federal de Minas Gerais. Apesar dos recursos escassos, a
instituição, que no último vestibular teve quase 90 mil
candidatos disputando 4.322 vagas, conseguiu ampliar o número
de vagas em 12% neste período. A porcentagem de alunos de
escolas públicas que vem conseguindo ingressar na instituição,
segundo Cristina Agostini, na última seleção, alcançou 45%
dos classificados.
Fonte: Hoje
em Dia(13/05)
|