Mas e aquela "fezinha", conta na hora da prova?
Alguns dizem que sim. E é
contemplado com seu nome na lista dos aprovados do vestibular. Outros acreditam que o segredo é saber chutar.
"Não sou um aluno exemplar. Nem sei como eu passei no concurso. É
sorte", dizem.
Matemáticos porém não
acreditam muito nesta história. Um especialista calculou
quais seriam as chances de um candidato que não sabe absolutamente nada passar
no vestibular através do "chutômetro", em uma prova de múltipla
escolha com cinco alternativas.
"Não importa a alternativa escolhida, a probabilidade de um aluno
acertar no chute é de 20%. Para acertar duas questões, a chance diminui para
4% (1/5 x 1/5= 1/25 e 1/25 x 100) e para acertar três, fica ainda mais difícil:
0,8%", explicou.
Esclareceu que para conseguir
os pontos necessários, por exemplo, a
probabilidade é 1/5 elevado a 118. O resultado: 3,32307 E-83 (uma seqüência
de oitenta zeros e um três). "Isso dá a idéia da dificuldade. É
praticamente impossível passar no vestibular chutando do ponto de vista matemático.
Para quem não sabe nada, chutar ou resolver são quase equivalentes".
Mas a estatística do matemático não é tão pessimista assim. "É
claro que se o candidato chutar apenas algumas questões e souber a maioria, a
coisa muda de figura. Ele pode ficar com duas alternativas, o que garante uma
probabilidade de 50% de acerto", conclui.
Independentemente de inteligência, esforço ou sorte, a maior parte dos
especialistas afirmam que a única solução para passar nas provas do vestibular
é estudar. E manter a calma. Autoconfiança, motivação e estratégia também
são decisivos para o sucesso.
Não basta ter um Q.I. elevado
se não saber manter a calma
O teste do quociente de inteligência
(QI) usa a escala de inteligência de
Wechsler para avaliar o nível presente da função intelectual. Este teste
fornece um escore de QI padronizado, de modo que 100 é o valor médio esperado
para qualquer idade, com desvio padrão de 15.
Para os psicólogos o teste do Q.I é um método
questionável de se medir a capacidade de raciocínio lingüístico, matemático
e lógico. Explicam que o sucesso no vestibular está mais vinculado ao
equilíbrio emocional do candidato. "Não basta ter um Q.I. elevado e
conhecer as matérias sem saber manter a calma. Conscientizar-se de que é capaz
de aprender e discorrer qualquer assunto ajuda muito. Sem isso, perde-se a calma
e surge o famoso 'deu branco', uma tensão nervosa que bloqueia o conhecimento e
a inteligência", dizem.
Os psicólogos constatam que a falta de controle emocional explica o fato do
aluno tido como "brilhante" não se dar bem nos exames. Eles acreditam
que o sucesso no vestibular não é exclusividade do gênio ou do conhecido
"CDF". A força de vontade faz com que muitos adolescentes que não
são considerados inteligentes convertam esse sentimento em capacidade de passar
em uma prova.