Esquecem-se
de que são apenas humanos e que a vida é muito mais do que apenas enfiar o
nariz no meio de livros e apostilas. Muitos tomam toneladas de pó de guaraná,
galões de café e de refrigerantes cafeinados no desespero de vencer a concorrência
e de recuperar o tempo perdido. Passam madrugadas sem dormir e no momento do
vestibular estão abatidos, com olheiras, cara de ressaca e sentindo o coração
batendo na garganta.
Tentam
"detonar" e podem acabar sendo "detonados" pela neura do
vestibular. Há um sentimento estressante de "ou vai ou racha!" E
muitos acabam se arrebentando, vitimados por um desgaste nervoso. Outros ficam tão
dominados pelo pânico e pela sensação de inferioridade que amarelam e acabam
faltando aos exames, apesar de, efetivamente, ter estudado muito mais do que a média
da concorrência e possuir uma boa capacidade de raciocínio. É como já falei:
tentam "detonar" e podem acabar sendo "detonados" pela neura
do vestibular.
Mais
pode significar menos. 50% dos vestibulandos vão com tanta sede ao pote que põem
tudo a perder. Milhares de horas de estudo e de sacrifício são perdidas porque
houve uma atitude mental pouco favorável ou, pior, um sério descontrole
emocional. O jovem até que domina legal a matéria, mas fracassa em decorrência
do medo, de assumir erroneamente que os concorrentes são muito melhores, da
falta de controle do tempo de prova e daqueles famosos "brancos" tão
comuns no vestibular...
Enquanto
isso, outros concorrentes, que não estudaram tanto e têm menos capacidade,
entram numa excelente faculdade pública apenas porque souberam dominar os
nervos, enfrentaram os exames numa boa, tiveram uma atitude mental mental favorável,
controlaram legal o tempo de prova e souberam evitar os "brancos" com
muita elegância. No vestibular e na vida em geral, às vezes, mais vale um
fusquinha bem conduzido do que um Rolls-Royce dirigido como se fosse um foguete
desgovernado. :0)
Desses
50% já comentados, existem também os que se matam de estudar, mas sem conhecer
a maneira pela qual a matéria será cobrada. Fracassam por desconhecer as
manias dos examinadores. Existem tópicos que têm mais chance de cair do que
outros. Existem tendências que podem ser exploradas pelos vestibulandos
"antenados".
Eles
têm acesso a uma série de informações técnicas valiosas de cada uma das
oito matérias, o que aumenta as probabilidades de acerto e, por conseqüência,
de entrar numa ótima faculdade pública gratuita. Os meus leitores desenvolvem
uma atitude mental campeã, usam as emoções a seu favor, driblam os
"brancos", controlam legal o tempo e conseguem fazer muito mais com
muito menos, sem desespero e sem sofrimento.
Outros
30% pensam: "agora não dá mais tempo para estudar, vou-me matar para quê?
Quero mais é aproveitar a vida e vou cair na gandaia!" Os livros e
apostilas ficam tomando poeira na estante, a TV fica ligada quase que o tempo
todo. O rádio fica com o volume tão forte que faz a casa parecer uma
discoteca, a Internet é acessada várias horas por dia para ver besteiras sem
importância, etc. Maior moleza só existe mesmo sentando num pudim! :0) hehehe
Ou, quiçá, tomando sopa de minhoca... :0) hehehe
O
jovem faz o que os americanos chamam de um "acting out". Ele ou ela não
consegue encarar o vestibular de frente porque, no fundo, quer passar, mas
estudar vira um sofrimento porque vem acompanhado de uma conotação de dever ou
obrigação. E para nós, latinos, nada mais chato e sofrido do que ser obrigado
a fazer algo muito importante... Sei disso porque sofro do mesmo mal. Meus genes
são ítalo-portugueses e é difícil remar contra a maré da hereditariedade.
Mas,
tento, sempre que me é possível, aprender a gostar daquilo que é bom para
mim. Uso, com grande sucesso, uma técnica chamada de auto-hipnose muito bem
descrita no meu livro. Podemos programar nosso cérebro para passar no
vestibular da mesma maneira que programamos um computador ou uma máquina de
lavar roupa para desempenhar uma certa tarefa. Uma tarefa "árdua"
pode tornar-se simpática quando a dividimos em pequenas porções e quando
enxergamos os seus aspectos positivos, que sempre existem. Podemos aprender a
gostar daquilo que é bom para nós, inclusive do vestibular. Basta haver uma
mente aberta.
Muitas
vezes, na vida, somos obrigados a fazer coisas desagradáveis para garantir um
futuro agradável e pleno de realizações. É a "noblesse oblige" dos
franceses e a "call of the duty" dos norte-americanos. É o nosso
"nobre dever", muito comum nos meios profissionais: é o médico que
se vê na contingência de atender um paciente tuberculoso que poderá infectá-lo;
é o comerciante que é obrigado a agüentar, com um sorriso e uma dose de boa
vontade, um cliente rabugento que vem trocar a mercadoria a todo instante,
justamente na hora em que a loja está lotada de fregueses promissores; é o
dentista que tem de trabalhar na boca de um sujeito com um "perfumado"
bafão de onça...
Esses
30% de adolescentes têm de suportar pressões lancinantes que muitos adultos não
agüentariam de jeito nenhum. Lamentavelmente, alguns afundam-se nas drogas como
uma maneira suicida, infantil e tola de refugiar-se das dificuldades. Há os que
se viciam nas anfetaminas e no crack, acreditando irracionalmente que estas
porcarias vão dar um "pique" ou um "barato" para vencer a
fadiga e aumentar o rendimento do estudo.
Mas
notei que existem 20% dos jovens, mais amadurecidos, que aumentam o ritmo de
estudos numa boa, sem se matar. Eles dormem um pouco menos, lêem a matéria com
mais afinco, organizam melhor seus horários, continuam a sair de fim-de-semana,
namorar, passear, etc, mas sem "aboborar" ou "borboletear"
muito. Fazem o melhor que podem, passam longe das drogas, encaram o vestibular
como um desafio gostoso e como um passaporte para um futuro melhor. São esses
que geralmente passam nos vestibulares mais disputados!
Alguns
desses jovens usam a fé em Deus como uma turbina a jato para estimulá-los a
vencer. Têm um otimismo saudável, acreditam que a vida é linda e deve ser
vivida plenamente, são disciplinados. Possuem um bom relacionamento com os
pais, originam-se de famílias bem constituídas, nas quais predomina um
ambiente de carinho, amor e compreensão. São como navios que têm um porto
seguro onde atracar para fugir das tempestades de alto-mar, ou seja, das
procelas da vida.
Após
todas essas preliminares, vamos às recomendações práticas para recuperar o
tempo perdido e encarar a iminência do vestibular numa boa: