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O último trimestre do ano é crítico para os
vestibulandos. Nos próximos meses, boa parte das principais universidades do
país encerra suas inscrições e não há mais tempo para adiar a grande decisão.
É agora que a questão mais importante da vida de muitos jovens na faixa de 18
anos deve ser enfrentada: que carreira profissional seguir? Para quem tem dúvidas,
resta o consolo de saber que não está sozinho. De acordo com o IBGE, apenas 5%
dos estudantes brasileiros que prestam a temida prova têm certeza de que curso
querem fazer. E não é só isso. Depois que entram na faculdade, muitos
vitoriosos descobrem que a escolha não foi a mais acertada. Segundo a Associação
Brasileira de Orientadores Profissionais, 43% dos alunos da Universidade de São
Paulo (USP), considerada uma das melhores do país, desistem do curso no
primeiro ano. Muitos dos desiludidos fazem o caminho de volta para os cursinhos.
A escolha é realmente difícil. São mais de 150 opções diferentes de profissões de
nível superior, distribuídas por 7.000 cursos em aproximadamente mil instituições.
Além
disso, a sensação é terrível porque é a primeira escolha importante que o
jovem tem de fazer sozinho. De um lado, ele se
defronta com aspectos práticos da vida, como os interesses e gostos pessoais,
as habilidades manuais, o mercado de trabalho, as informações sobre os cursos
e profissões. De outro, encontra-se diante de algo impossível de ser aferido
objetivamente, como a pressão da família e dos amigos, a moda, os sonhos, as
esperanças e as fantasias.
Nessa fase não se escolhe apenas a profissão, mas um estilo de
vida. Por isso, o mínimo
que se espera é que o vestibulando saiba o que está escolhendo e não acabe,
sem realmente querer, na fila de inscrição dos cursos mais procurados, como
Direito, Medicina ou Engenharia, ou dos que ele acredita que tragam mais retorno
financeiro. Além da consciência do que se deseja, a informação sobre cursos
e profissões é fundamental. O jovem tem de namorar a profissão antes de
se casar com ela. A estudante paulistana Gabrielle Santos, de 20 anos, que prestou o
primeiro vestibular para Biologia, resolveu "mudar de namorado".
"Eu pensei, em princípio, que ia viver com os golfinhos", lembra
hoje, rindo de sua ingenuidade. Depois de participar de um grupo de orientação
profissional e conhecer melhor a carreira, ela optou por Medicina. As informações
sobre o curso de Fisioterapia tranqüilizaram o mineiro Jerônimo Cavalcante.
"Não tenho a menor dúvida sobre o que quero seguir", garante.
A boa notícia é que as melhores universidades do país, as escolas de ensino médio
e os cursinhos mais requisitados já aprenderam a lição e oferecem visitas
monitoradas às instituições de ensino superior, além de palestras com
profissionais. Muitas vezes, os alunos podem ficar e assistir às aulas. Tomam
contato com as matérias básicas dos primeiros anos de faculdade, geralmente
mais enfadonhas e muito diferentes daquelas associadas diretamente à profissão.
Para quem passa no vestibular cheio de sonhos e de ilusões, o primeiro contato
costuma ser um choque. Se o aluno já vai informado, entra com uma visão mais
realista do que terá de enfrentar.
Mudanças na legislação brasileira referentes ao ensino médio devem ajudar os
alunos na escolha. A tendência é a de que os colégios ofereçam cada vez mais
disciplinas optativas ou eletivas voltadas para o mundo do trabalho. Matérias
como Linguagem Arquitetônica, Biologia Experimental, noções de Direito,
Linguagem Fotográfica e Comunicação e Marketing já estão no currículo de
algumas escolas, aproximando os alunos, pelo menos em tese, do que ocorre nas
faculdades ou no mercado. As disciplinas optativas ajudam na
hora de escolher. Mas as escolas do ensino médio não podem fugir de sua
principal responsabilidade: formar alunos com habilidade de redigir, capacidade
de entender textos e elaborar projetos e com maior compreensão da realidade. Se conseguir passar isso para os estudantes, a escola já estará
cumprindo seu papel e ajudará a diminuir a insegurança diante da disputa do
mercado de trabalho.
Para quem
continua em dúvida, uma rede de instituições em todo o país especializou-se
em ajudar estudantes indecisos como Vivian. Ou a mineira Cristina
Martins, de 17 anos. Ela chora de angústia por não saber o que escolher. No início
do ano, estava em dúvida entre Veterinária e Engenharia. Mas optou, sem muita
convicção, por se inscrever em Medicina na Universidade Federal de Minas
Gerais. "O que mais pesa para mim é saber que, pelo menos teoricamente, é
uma escolha para a vida inteira. Mas não é bem assim, esse ato não
define o resto da vida de uma pessoa, mas apenas um passo - o primeiro passo do
resto da vida. A história das profissões está repleta de casos de
artistas, cientistas e políticos que fizeram uma faculdade e acabaram
trabalhando com algo totalmente diferente.
Em geral, os institutos de Psicologia de universidades federais e estaduais têm
um serviço de orientação vocacional em que psicólogos e pedagogos,
auxiliados por universitários de último ano, atendem a população - muitas
vezes gratuitamente.
Os testes vocacionais também são alvo de críticas e polêmica. Os testes consistem em levantamento de
interesses, aptidões do estudante e seu perfil psicológico. Depois, o perfil
dos jovens é comparado com o perfil dos profissionais. No entanto, as profissões e as pessoas sempre mudam. Ou seja, quando uma
pessoa escolhe e segue uma profissão, ela vai reconstruí-la de acordo com sua
personalidade. A escolha de uma profissão é apenas um primeiro passo, porque as pessoas não nascem com vocação para determinada
atividade, mas vão construindo suas habilidades ao longo da carreira e da vida.
Enquanto isso não for compreendido, a dúvida continua.
Seja como for, os testes continuam muito usados, mais freqüentemente como um
instrumento entre outros para ajudar o adolescente a perceber suas áreas de
interesse. De um
modo geral, muitas escolhas de vestibulandos são influenciadas pelos gostos dos
pais. Ultimamente, porém, os especialistas têm notado o fenômeno inverso. Na
ânsia de serem imparciais, os pais acabam se omitindo. Isso não é bom
porque o jovem fica sem referências. Como em todas as ocasiões, os pais devem conversar com os
filhos.
Mesmo porque a escolha de cada um depende de fatores tão diversos como o histórico
de vida de cada um.
Para diminuir a dúvida, há uma
seqüência de passos básicos recomendados aos que ainda não se decidiram.
Primeiro, o estudante deve pensar em seus interesses: o que mais gosta de fazer,
quais são as atividades mais importantes e feitas com maior freqüência e o
papel que ele pretende exercer dentro da sociedade. Depois, observar o que tem
mais facilidade para aprender, estudar e fazer. Em seguida, procurar a relação
de cursos e profissões, não só universitários, mas técnicos e tecnológicos.
O passo seguinte é relacionar os interesses e as preferências aos currículos
dos cursos, que podem ser obtidos em muitos casos pela Internet nos sites das
faculdades. Completadas essas etapas, basta fazer a inscrição - e boa prova.
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