“Sou
Sergio Vieira, 17 anos, ainda não sei o que vou fazer. Estou em dúvida
entre Biologia e Engenharia mais ligada à genética e ambiental, que são
novas”, diz um vestibulando. Como o Sergio, tem um monte de estudantes com
uma gama de interesses. Essa dúvida é pertinente... “Eu acho bom ele
continuar verificando, tentando ver o que ele vai fazer, a gente aqui dá espaço
total”, conta o pai de Sergio, Carlos Pinheiro.
Sergio tem tentado tirar essa dúvida com a psicóloga da escola. “70% dos
alunos com quem eu trabalho tem dúvida vocacional e muitas vezes a gente
pergunta: ‘E se você não precisasse fazer vestibular?’. E eles respondem:
‘Ah, eu não faria não’”, revela a psicóloga escolar Kátia Rebelo. “Eu
vim aqui pra tentar achar o meu caminho, achar uma luz que está muito difícil”,
diz a vestibulanda Patrícia Lima.
Duas vezes por semana, um grupo de alunos se reúne na Universidade Estadual
do Rio para fazer um trabalho de orientação vocacional. São testes,
entrevistas, palestras...“Não adianta você ter um diploma na mão e ficar a
vida inteira aborrecido, insatisfeito sem ter realmente muito resultado”,
opina o vestibulando Rubens Nascimento. “Não vale nada a gente seguir uma
profissão só pelo dinheiro ou porque nossos pais querem. A gente tem que fazer
uma coisa que a gente gosta de fazer, que se sinta bem em fazer”, completa.
“Meu nome é Julio, tenho 18 anos, e pretendo fazer o curso de Medicina,
porque acho que é a carreira mais social”, apresenta-se um vestibulando. Ano
passado, eram 28 candidatos para cada vaga no vestibular de Medicina da Fuvest -
a única porta de entrada para a USP, a Universidade de São Paulo. “Eu acho
que todas as pessoas são capazes de fazer esse curso. Não só pessoas as
privilegiadas da sociedade, mas também os pobres”, acredita Julio Santos.
Todo fim de semana,
Julio estuda num curso pré-vestibular comunitário, na
cidade de São Paulo. “A gente contribui com apenas sessenta reais
mensais”, conta ele. Com o apoio de entidades filantrópicas, as aulas são dadas por
professores voluntários. “Julio é seguro naquilo que quer. Dá a impressão
de que não importa quanto tempo demore que ele vai chegar onde quer e isso é
gratificante porque a gente vê o retorno”, diz a professora voluntária Márcia
de Assis.
Em casa, a mãe de Julio se assustou com a escolha do filho. “Eu coloquei
a mão na cabeça porque achei difícil. É uma das mais difíceis. Eu dei uma
idéia pra ele fazer enfermagem e depois correr atrás do sonho... Ele não quis
e me falou que ia seguir em frente e conseguir”, lembra Maria do Carmo.
“Acho que foi pura vocação. Vocação mesmo é você querer ver, pesquisar,
se aprofundar naquilo. No meu caso, é vocação pura, com certeza”, aposta
Júlio.
Vestibular é..
... mais responsabilidade.
... uma coisa muito difícil porque a pessoa tem que fazer uma escolha muito
certa. Não é uma escolha do momento, é uma escolha para a vida inteira.
“Vestibular para mim é uma
parte importante da vida porque é uma escolha profissional e é uma coisa que
você vai levar pra vida inteira”, diz Érika. Ela tem 16 anos, quer fazer
Psicologia e já começou a encarar o desafio do vestibular. Érika participou da
primeira prova para a Universidade Estadual de Minas Gerais.
Como se saiu
Érika na primeira etapa do vestibular? “Para fazer a prova, eu
cheguei tranqüila, depois é que eu fiquei nervosa. Mas não foi tão traumático.
Já estou pronta para outra”, brinca Érika.
Nos próximos exames, veremos como ela, Julio e Sergio estão nessa guerra
chamada vestibular...