O conselho perderá sua prerrogativa de decidir sobre a abertura e o fechamento
de cursos, à exceção de direito, medicina, odontologia e psicologia. Essa
lista poderá incluir ainda pedagogia e licenciaturas. Instituições com
desempenho negativo nas avaliações do governo deverão ser automaticamente
punidas.
As novas regras do ensino superior definidas em decreto foram anunciadas pelo ministro Paulo Renato Souza. Segundo ele,
'dezenas de cursos' poderão ser fechados com as medidas. O reconhecimento dos
cursos da maioria das carreiras - ato indispensável para a validade dos
diplomas - deixará de tramitar pelo conselho.
O objetivo é evitar que os conselheiros concedam prazos-extras às instituições
para a correção de falhas e evitem assim o fechamento por falta de qualidade.
Desde a criação do Exame Nacional de Cursos (Provão), nenhum curso reprovado
deixou de funcionar por causa do mau desempenho.
Elogiando a atuação do conselho, Souza argumentou que as novas regras buscam
somente diminuir a burocracia na tramitação dos processos. Pelo modelo atual,
cada decisão é analisada separadamente pelo ministério e o conselho. Para
entrar em vigor, as decisões do CNE precisam do aval do MEC, mas o ministro só
tem poder de veto. Ou seja, não pode alterar o teor das deliberações.
Ainda que as decisões do ministério e do órgão colegiado coincidam em 98%
dos casos, o mecanismo de dupla deliberação deu lugar a 'um jogo de
empurra-empurra que tornava praticamente impossível fechar um curso', segundo o
ministro. Foi o que ocorreu no caso da Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas,
no Rio, cujo fechamento por falta de qualidade foi proposto duas vezes pelo MEC
e negado pelo CNE.
O decreto vai prever a suspensão automática do reconhecimento, obrigando as
instituições atingidas a buscar nova autorização do ministério, no prazo de
um ano. Os critérios para que isso ocorra serão definidos pelo MEC e o
conselho.
O presidente do CNE, Ulysses Panisset, negou que as novas medidas sejam uma
retaliação. Pelo contrário, segundo ele, a dispensa de analisar processos
permitirá ao órgão privilegiar a discussão de políticas e diretrizes gerais
da educação. O pre sidente da Câmara de Educação Superior do CNE, Arthur
Roquete de Macedo, destacou que o decreto mantém a participação do conselho
nas decisões 'mais importantes', como credenciamento de instituições.