Como foi bastante geral a
redação da lei vigente, deixou espaço para as instituições de
ensino sérias conservarem tudo o que têm feito de bom e também
para poderem continuar a evoluir. Grandes universidades, das
quais são exemplos sempre notáveis a USP, Unicamp e Unesp - só
para citarmos algumas - poderão seguir praticando seus vestibulares, cujo aperfeiçoamento vêm
promovendo continuamente há várias décadas.
Um dos princípios mais
fundamentais dos grandes vestibulares tem sido o cuidado extremo
em não provocar deformações no 2º grau, o que poderia ocorrer
se passassem a exigir conhecimentos de exclusivo interesse no
ensino superior, mas longe da realidade do ensino médio.
Felizmente há o entendimento de que o exame vestibular deve
avaliar a saída do 2º grau e deve se apoiar apenas nos conteúdos
básicos do 2º grau. E os grandes exames pedem a Matemática, a
Física, a Geografia etc., que o mundo todo considera essenciais
na formação pré-universitária, para a vida e para o complexo
mundo tecnológico em que vivemos.
Não é, portanto, apenas
coincidência que conteúdos iguais sejam encontrados em exames
vestibulares no Japão, nos exames do SAT dos Estados Unidos e nas
provas para entrada nas faculdades no Brasil. Não é simples
coincidência que mesmas questões possam ser usadas de um país
para outro: o mundo é um só, a natureza tem as mesmas leis em
todos os continentes e a formação básica esperada é muito
semelhante em cada país desenvolvido (e o somos no que diz
respeito a esses tópicos).
A LDB dá a liberdade para
o vestibular continuar como porta de entrada a cursos superiores
e ainda consagra aquilo que a prática e a letra dos vestibulares
tem postulado: o respeito pelo ensino médio. No seu artigo 51, a
lei estabelece que as instituições de ensino superior, "ao deliberar sobre critérios e normas de seleção de estudantes,
levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação
do ensino médio". Isto é, no único ponto em que explicita
um cuidado específico com a seleção, ela coloca no plano jurídico
o que, a cada ano, USP, Unicamp e Unesp têm assumido como
indispensável em seus vestibulares.
É claro que, como lei que
concede liberdade, a LDB cria alguns riscos. Escolas superiores
que desejem fazer novas experiências poderão eventualmente produzir formas que resultem menos
confiáveis do que o
vestibular. Realmente é difícil competir com um sistema que
existe há muito tempo e conta com o apoio dos candidatos que
certamente o respeitam. Os vestibulandos acatam os resultados do
sistema atual, mesmo quando eles não os favorecem com as
disputadas vagas, porque existe algo essencial que o vestibular
soube cultivar: a confiança de todos os participantes.
Acredita-se que as escolas
que buscarem novas experiências acabarão encontrando seus próprios
limites, pois qualquer erro delas - ao ficar sem o vestibular
tradicional - poderá também deixá-las, paradoxalmente, com
muitas vagas não preenchidas.