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Sentimento do Mundo
(Carlos Drummond de Andrade)

                               

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Sentimento do Mundo (Carlos Drummond de Andrade)

Relação de poemas 

Sentimento de Mundo 
Confidência do Itabirano 
Poema da Necessidade 
Canção da Moça-Fantasma de Belo Horizonte 
Tristeza do Império 
Operário no Mar (prosa) 
Menino Chorando na Noite 
Morro da Babilônia 
Congresso Internacional do Medo 
Os Mortos de Sobrecasaca 
Privilégio do Mar 
Inocentes do Leblon 
Canção do Berço 
Indecisão de Méier 
Bolero de Ravel 
La Possession du Monde 
Ode no Cinqüentenário do Poeta Brasileiro 
Os Ombros Suportam o Mundo 
Mãos Dadas 
Dentaduras Duplas 
Revelação do Subúrbio 
A Noite Dissolve os Homens 
Madrigal Lúgubre 
Lembrança do Mundo Antigo 
Elegia 1938 
Mundo Grande 
Noturno à Janela do Apartamento 


Alguns Poemas 

Sentimento do mundo 

Tenho apenas duas mãos 
e o sentimento do mundo, 
mas estou cheio de escravos, 
minhas lembranças escorrem 
e o corpo transige 
na confluência do amor. 
Quando me levantar, o céu 
estará morto e saqueado, 
eu mesmo estarei morto, 
morto meu desjeo, morto 
o pântano sem acordes. 
Os camaradas não disseram 
que havia uma guerra 
e era necessário 
trazer fogo e alimento. 
Sinto-me disperso, 
anterior a fronteiras, 
humildemente vos peço 
que me perdoeis. 
Quando os corpos passarem, 
eu ficarei sozinho 
desafiando a recordação 
do sineiro, da viúva e do microscopista 
que habitavam a barraca 
e não foram encontrados 
ao amanhecer 
esse amanhecer 
mais que a noite. 

Confidências de um Itabirano 

Carlos Drummond de Andrade 
Alguns anos vivi em Itabira. 
Principalmente nasci em Itabira. 
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. 
Noventa por cento de ferro nas calçadas. 
Oitenta por cento de ferro nas almas. 
E esse alheamento1 do que na vida é porosidade e 
comunicação. 
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, 
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes. 
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, 
é doce herança itabirana. 
De Itabira trouxe prendas que ora te ofereço: 
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval; 
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas; 
este orgulho, esta cabeça baixa... 
Tive ouro, tive gado, tive fazendas. 
Hoje sou funcionário público. 
Itabira é apenas uma fotografia na parede. 
Mas como dói! 

Congresso internacional do medo 

Provisoriamente não cantaremos o amor, 
que se refugiou mais abaixo dos subterrãneos. 
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, 
não cantaremos o ódio porque esse não existe, 
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, 
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, 
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, 
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, 
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos 
de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. 
Carlos Drummond de Andrade 

Elegia 1938* 

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco1, 
onde as formas e as ações no encerram2 nenhum exemplo. 
Praticas laboriosamente3 os gestos universais, 
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual. 
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas, 
e preconizam4 a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção. 
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze 
ou se recolhem aos volumes de sinistras5 bibliotecas. 
Amas a noite pelo poder de aniquilamento6 que encerra 
e sabes que, dormindo, os problemas de dispensam de morrer. 
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina 
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis7 palmeiras. 
Caminhas entre mortos e com eles conversas 
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito. 
A literatura estragou tuas melhores horas de amor. 
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear. 
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota 
e adiar para outro século a felicidade coletiva. 
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição 
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan. 

*Elegia era o nome dado pelos gregos a um tipo cujo tema estava ligado à morte. Seu tom era, portanto, sempre triste, de lamentação. OP ano de 1938 identifica-se com um período de grande desenvolvimento industrial e uma grave crise social e política, que teria como uma das suas decorrências a Segunda Guerra Mundial. A esse quadro o poeta refere-se como um “mundo caduco” (v. 1) 

Mãos dadas 

O poeta reafirma a sua consciência da existência de outros homens, seus compa-nheiros. Com eles é que se sente de mãos dadas – e renunciou aos seus temas pesso-ais: uma mulher, uma história, a paisagem vista da janela. Não mais se refugiará na solidão porque o que lhe interessa é o tempo presente em que se acha inserido, e os ho-mens que o cercam. 

Não serei o poeta de um mundo caduco. 
Também não cantarei o mundo futuro. 
Estou preso à vida e olho meus companheiros. 
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. 
Entre eles, considero a enorme realidade. 
O presente é tão grande, não nos afastemos. 
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. 
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, 
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista [da janela, 
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, 
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por 
[serafins. 
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes, 
a vida presente. 

Os ombros suportam o mundo 

O sentimento do mundo que dá título ao livro começa a fazer presente. O poeta fala na renúncia dos seus desejos e inquietações pessoais, que só o deixarão na mais absoluta solidão: não importa a sua própria vida, o tempo que passa e a velhice que avança, em face dos problemas do mundo, dos quais ele tem uma dolorosa consciência. Sente-se solidário com os que ainda não se libertaram do sofrimento. Sua vida se impõe como uma ordem: ela deve continuar, para enfrentar a realidade de um mundo qaue ele imagina carregar no ombros e que não deve pesar mais do que a mão de uma criança. 

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. 
Tempo de absoluta depuração. 
Tempo em que não se diz mais: meu amor. 
Porque o amor resultou inútil. 
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho. 
E o coração está seco. 
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. 
Ficaste sozinho, a luz apagou-se, 
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. 
És todo certeza, já não sabes sofrer. 
E nada esperas de teus amigos. 
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? 
Teus ombros suportam o mundo 
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios 
provam apenas que a vida prossegue 
e nem todos se libertaram ainda. 
Alguns, achando bárbaro o espetáculo, 
prefeririam (os delicados) morrer. 
Chegou um tempo em que não adianta morrer. 
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. 
A vida apenas, sem mistificação. 

Biografia do autor 

Nasceu em Itabira-MG, em 1902, Filho de proprietários rurais arruinados, estudou em Belo Horizonte, diplomou-se em Farmácia, deu aulas de Geografia, exerceu o Jornalismo e foi funcionário público. Em 1933, radicou-se definitivamente no Rio de Janeiro. Morreu em 1987. É considerado maior poeta brasileiro. 

Comentários críticos 

A poesia de Carlos Drummond de Andrade pode ser abordada a partir da dialética “eu x mundo”, desdobrando-se em três atitudes: 

1. Eu maior que o mundo – marcada pela poesia irônica. O poeta vê os conflitos de uma posição de eqüidistância e não-envolvimento: daí o humor, os poemas-piada e a ironia. O poeta fotografa a província, a família. É sarcástico, de uma irreverência incontida, mas de um sentimento contido, o que vem a produzir um texto objetivo, seco, versos curtos e descarnados, sem transbordamento emocional. É o que ocorre em Alguma Poesia e Brejo das Almas. 

2. Eu menor que o mundo – marcada pela poesia social, tomando como temas a política, a guerra e o sofrimento do homem. Desabrocha o sentimento do mundo, marcado pela solidão, pela impotência do homem, diante de um mundo frio e mecânico, que o reduz a objeto. É o que ocorre em Sentimento do Mundo, José e especialmente em A Rosa do Povo. 

Os poemas Mãos Dadas, Os Ombros Suportam o Mundo e Confidência do Itabirano também incluem-se nessa fase. 

3. Eu igual ao mundo – abrange a poesia metafísica, de Claro Enigma onde a escavação do real, mediante um processo de interrogações e negações, conduz ao vazio que espreita o homem e ao desencanto, e a “poesia objetual”, de Lição de Coisas, onde a palavra se faz coisa, objeto,, e é pesquisada, trabalhada, desintegrada e refundida no espaço da página. 

Análise de Célio Pinheiro, professor de Literatura, Araçatuba-SP 

Os poemas de Sentimento do mundo foram produzidos entre 1935 e 1940. 

São 28 no total. 

Poema: Sentimento do mundo 

O primeiro poema (que deu nome ao livro) revela a visão-de-mundo do poeta: não é alegre, antes, é cheia da realidade que sempre nos estarrece, porque, por mais que sonhemos, a realidade geralmente é dura e muito desafiante. 

O poeta inicia (estrofe 1) indicando suas limitações para ver o mundo: “Tenho apenas duas mãos”; mas aponta, em seguida, alguns elementos auxiliares que o ajudarão a suprir suas deficiências de visão: escravos, lembranças e o mistério do amor (versos 3 a 5); escravos podem ser os meios escusos de que nos utilizamos para tocar a vida e decifrá-la e dela nos aproveitarmos. 

O pessimismo denuncia-se com as mortes do céu e do próprio poeta, na estrofe 2. 

Apesar da ajuda incompleta dos companheiros de vida (“Camaradas”), o poeta não consegue decifrar os códigos existenciais e pede, humilde, desculpas. 

Nas duas últimas estrofes, Drummond pinta uma visão de futuro bem negativo, mas bem real: mortos, lembranças, tipos de pessoas que sumiram nas batalhas da vida (“guerra”, na estrofe 3). 

Conclui, na estrofe 5, que o futuro (“amanhecer”) é bem negro, tenebroso. Feita só de dois versos, sintetiza seu sentimento do mundo. 

Os demais 27 poemas são nuances, explicações dessa amarga visão inicial da vida. 

Poema: Confidência do Itabirano 

O poema começa com a saudade profunda de seu lugar de nascimento, traçado em quatro belas, mas sofredoras estrofes. Confessa (estrofe 3) que aprendeu a sofrer por causa de Itabira; mas, paradoxalmente: “A vontade de amor (...) vem de Itabira”; vale dizer que o amor nasce e é servido no sofrimento. De Itabira vem a explicação de Drummond viver de “cabeça baixa” (estrofe 3), verso 6). Afinal, apesar das negatividades, o poeta sente uma incomensurável saudade de sua cidade natal. 

Poema: O operário do mar 

O texto número 6 faz o autor escapar da linguagem poética material (versos) e se apropriar dessa linguagem poética sem versos, mas bastante poesia imaterial, em belo painel-definição explicita a grande diferença social entre operários e não-operários. 

Esta belíssima crônica poética, de base surrealista – tão em voga nos anos trinta, quarenta – serve bem para duas constatações: 

1ª) o sentimento socialista de Drummond que iria espraiar-se cinco anos após Sentimento do mundo, na publicação de Rosa do povo, em 1945; 

2ª) a visão-de-mundo onírica e bem poética de um operário universalizado em São Pedro; ele anda sobre águas por graça de Deus, enquanto burgueses se espantam por não poderem realizar a mágica; isto é, aos humildes: a magia divina, aos prepotentes: a inveja. 

Esta crônica poética também pode permitir que se compare a “apreensão do mistério da palavra” nos poemas explícitos de Drummond diante desta prosa poética; por exemplo: “minhas lembranças escorrem” (Sentimento do mundo, estrofe 1, verso 4) e “feixes escorrem” (das mãos do operário, em O operário no mar, linha 26). O mistério poético de lembranças escorrem é bem mais profundo do que peixes escorrerem imaginariamente das mãos do operário. 

Poema: Privilégio do mar 

No poema 12, o autor continua detendo-se alegoricamente no problema social das diferenças humanas. 

Poema: Inocentes do Lelbon 

Ainda no enfoque da visão social, o poeta fala da riqueza: “inocentes” significa os que querem ignorar; por isto fingem e se aproveitam. 

Poema: La possession du monde 

Neste poema 17, Drummond indica o membro da Academia Francesa de Letras, em 1884, Georges Duhamel, pedindo uma risível fruta estragada; como se isso fosse, como diz o título do poema, ter o mundo nas mãos. 

Poema: Ode no cinqüentenário do poeta brasileiro 

O belo elogio do poema 18 é a palavra drummondiana a Manuel Bandeira, nascido em 1886 e que, em 1936, completava 50 anos de vida. Drummond pede que “seu canto confidencial (a poesia de Bandeira) ressoe acima dos vãos disfarces do homem”! 

E para concluir esta fugaz visão do livro Sentimento do mundo, fiquemos com as palavras do último poema, Noturno à janela do apartamento: “ A vida na escuridão absoluta, como líquido, circunda”. 

 

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