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Um
novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pode substituir os
vestibulares das universidades federais a partir do próximo ano.
Essa foi a proposta apresentada pelo Ministério da Educação à
Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de
Ensino Superior (Andifes). A idéia é que seja um meio-termo
entre o Enem e o vestibular atual.
“Nós queremos um exame que corrija as distorções do vestibular e
do Enem. A forma do Enem perguntar é muito interessante, mas ele
carece de conteúdos organizativos do ensino médio. O vestibular
é fortemente conteudista, mas na maneira de perguntar distorce a
realidade do ensino médio. Nós queremos ter um exame nacional
que dê conta do conteúdo, mas de forma inteligente, que julgue a
capacidade analítica dos estudantes e promova uma mudança na
atuação em sala de aula do professor”, comparou Fernando Haddad.
O Ministro da Educação tem como objetivo testar este novo modelo
de seleção já na prova a ser aplicada este ano, para ingresso no
próximo ano. “O vestibular nos moldes de hoje produz efeitos deletérios
sobre o currículo do ensino médio, que está cada vez mais
voltado para a decoreba”, esclareceu durante entrevista.
O ministro conta ainda que os vestibulares atuais não se
preocupam com a capacidade de análise crítica dos estudantes,
mas somente com a memorização de conteúdos e fórmulas. Disse que
o problema é o aluno decorar matérias e desconhecer o fenômeno
que está por trás das questões nesses processos. Para o
ministro, se a mudança não for feita logo, escolas de Ensino
Médio vão continuar reproduzindo esses métodos de ensino.
“Esse assunto é discutido há décadas e nós estamos maduros o
suficiente para dar um passo adiante e rever os nossos processos
seletivos que hoje padecem de problemas graves. Eles sinalizam
mal como deveria ser o currículo do ensino médio”, afirmou
Haddad.
“O que nós podemos fazer é racionalizar e oferecer um
instrumento novo e eficiente, tanto do ponto de vista da
previsão do desempenho acadêmico dos ingressantes, como da
organização curricular do ensino médio”, salientou o ministro.
Para o ministro da Educação, a prova deverá ser mais voltada
para a investigação e não para a memorização, para avaliar a
capacidade analítica e o raciocínio do aluno, diferente dos
vestibulares atuais. O princípio que Haddad pretende adotar
prevê uma prova que analise competências e habilidades, e não só
conteúdos, como o atual vestibular.
“Hoje, é muito traumática a passagem da educação básica para a
educação superior. Se não revermos essa transição, não
alcançaremos o padrão de qualidade na educação que queremos”,
concluiu Haddad.
Pelo projeto do ministro a proposta é combinar as virtudes do
vestibular clássico pela abrangência de conteúdo, com os modelos
de questões do atual Enem. O novo modelo de processo seletivo
unificado será por adesão e poderão participar tanto
instituições públicas quanto privadas e afirma que “O MEC está
tecnicamente preparado para isso”.
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